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Dinamarca: dados de 8,8 milhões de pessoas vazam do registro civil por acesso legal abusado

Denmark: 8.8 million people's data pulled from the civil register through abused lawful access

KGA IT
2026-10-124 min
SecurityData BreachDenmarkIdentityPrivacy

O que aconteceu

Em 5 de outubro de 2026, o governo da Dinamarca revelou um dos maiores vazamentos de dados da história do país. Pessoas não autorizadas obtiveram nomes, endereços e números CPR (o número de identificação pessoal dinamarquês) de cerca de 8,8 milhões de pessoas registradas no Registro Central de Pessoas (CPR). O total inclui vivos, mortos e emigrados; o registro tem cerca de 11 milhões de entradas.

O detalhe mais importante: ninguém invadiu o sistema no sentido clássico. Os atacantes abusaram do acesso legal de uma pequena empresa dinamarquesa, que tinha permissão para consultar o CPR.

Como foi feito

  • Pela lei dinamarquesa (seção 38 da Lei do CPR), empresas com interesse legítimo podem consultar dados de pessoas que já identificaram individualmente. Um número CPR sozinho basta para isso.
  • Durante cerca de 10 dias em setembro, a conta dessa empresa fez mais de 14 milhões de tentativas de consulta, testando números CPR em massa. Cerca de 8,8 milhões retornaram um registro.
  • Cada consulta isolada estava dentro das permissões. O problema era o volume: mais de um milhão por dia, algo muito acima de qualquer necessidade comercial plausível.
  • Pessoas com proteção de nome e endereço não tiveram esses dados expostos.

Como foi descoberto: pela fatura

As empresas pagam por cada consulta. Segundo autoridades em coletiva no dia 6, a anomalia apareceu na noite de sexta, 2 de outubro, quando a administração do CPR foi faturar a empresa e viu um valor enorme. Ou seja, o monitoramento de segurança não detectou o abuso; o setor de cobrança detectou.

Resposta

  • O acesso da empresa foi cortado; a empresa não foi identificada publicamente.
  • O caso foi comunicado à Datatilsynet (autoridade de proteção de dados), e a polícia investiga com autoridades de outros países. Até o dia 6, ninguém havia sido identificado ou acusado.
  • A ministra Christina Egelund ordenou uma revisão completa de segurança do CPR. Ainda é cedo para dizer se haverá novos números CPR.
  • Sistemas que usam o MitID (login digital nacional), como saúde, não foram afetados.
  • A agência de proteção civil afirmou que o número CPR não pode mais ser usado sozinho para confirmar a identidade de alguém. Órgãos públicos adicionaram perguntas extras no atendimento telefônico.

O risco agora

Com nome, endereço e número de identificação em mãos, golpistas conseguem soar muito convincentes em ligações e e-mails. O governo alertou: nunca forneça senhas ou dados confidenciais a quem liga ou escreve, mesmo que a pessoa já saiba seu nome, endereço e CPR.

Lições para qualquer empresa

  1. Acesso legítimo também é superfície de ataque. Contas de parceiros e APIs pagas precisam de limites de volume e alertas.
  2. Monitore anomalias de uso, não só invasões. Um milhão de consultas por dia deveria disparar alarme no primeiro dia.
  3. Não use identificadores públicos como prova de identidade. Número de documento não é senha; isso vale para CPF no Brasil e My Number no Japão.
  4. Revise contratos de acesso a dados de terceiros: finalidade, volume esperado e auditoria.

Fontes


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